segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pé pra lá, pé pra cá


Pé pra lá,
pé pra cá,
os pés me levam
pra onde eu quiser.
Segue em
frente,
recua, às vezes,
até em marcha ré.
Também gira
para um lado,
depois outro,
no vibrante
caminhar.
Cansa, que
não é de ferro,
e pede tempo
para repouso.
Sempre os pés.
33, 36, 39, 42...,
seja qual
tamanho for,
impulsionam
o corpo no
passo lento,
na corrida,
no parque,
na dança,
jogando bola,
na rua, em casa,
na praia,
em todo lugar.
Os pés sempre
me levam...
Discretos ou
deixando marcas.

Foto: Flickr


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Longe de Casa


A mudança de um sobrinho e afilhado para São Paulo onde foi trabalhar, por opção, me leva ao passado. Sem alternativa de continuar os estudos na cidade onde nasci - e vivi até a adolescência -, deixei a família para me aventurar na cidade grande, Salvador, onde estive poucas vezes antes.

Hoje a internet e o celular encurtam a distância entre pessoas queridas. Quando saí de Itapetinga para fazer o pré-vestibular em Salvador, a história era outra. Nem telefone fixo a gente tinha em casa. Só existia a opção da carta. Escrevia e passava ao Correio a tarefa de enviar e trazer as notícias. E como demorava, dez, 15 dias...

Na capital, tudo novidade. Até o transporte coletivo significava um desafio: aguardar no ponto, disputar espaço no acesso e ficar parecendo sardinha prensada no interior do ônibus. Nesses momentos, cresciam as lembranças da pequena cidade, onde bastava disposição para ir à escola, ao cinema, ao clube, à biblioteca, ao passeio na praça. Tudo andando, sem queixas.

Com 19 anos, outra dificuldade foi morar em pensionato e gerenciar a vida. Não era fácil matricular em cursinho, lavar roupa, passar ferro, fazer inscrição no vestibular, administrar o dinheiro curto para a despesa do mês. Mesmo assim, nada de desistir. A prioridade era estudar, estudar muito, para não fazer feio na hora de enfrentar a concorrência e, finalmente, ingressar na Ufba.

Quando o pensionato enchia a paciência, a gente reunia um grupo de estudantes, alugava um "ap" e formava uma república da "Luluzinha". Aí, sobrava liberdade, mas faltavam entendimento, organização, respeito ao direito do outro. Recordo-me de Rose que acendia a luz do quarto mesmo se alguém já estivesse dormindo. Agora, se ela pegasse no sono e uma amiga fizesse isso, reclamava. E como! (Foto: Regis Capibaribe)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Crime de leso-lugar

O texto abaixo é de Dad Squarisi, do Blog da Ded, editado no site do Correio Braziliense. Formada em Letras pela UnB, ela tem Especialização em Lingüística e Mestrado em Teoria da Literatura. No post, a autora tira dúvidas quanto ao uso das expressões Onde e Aonde. Recomendo a leitura.

"Eu tenho vergonha do meu país, aonde existe cadastro de carros roubados e não existe de pessoas desaparecidas." Com a frase, a tevê anuncia reportagem pra lá de explosiva. Chama-se Dossiê Desaparecidos. Homens, mulheres e crianças somem. Como fumaça, desmancham no ar. Ninguém sabe. Ninguém viu.

A chamada atrai telespectadores. Mas causa estranheza. A pulga atrás da orelha não tem a ver com o tema. Relaciona-se à língua. Mais precisamente ao emprego do aonde. O trissílabo tem vez na frase? Não. O pronome rouba com frequência o lugar do onde. Ninguém sabe por quê. O crime de leso-lugar contraria a lei do menor esforço que impera no português nosso de todos os dias. Por comodismo, preferimos o menor ao maior.

Cada macaco no seu galho

Onde ou aonde? Em geral onde. Aonde só ganha banda de música e tapete vermelho se preencher uma condição — acompanhar verbos de movimento que exijem a preposição a. É o caso de ir e dirigir-se. Ambos são adversários do sedentarismo e pedem o azinho:

Quem vai vai a algum lugar: Dilma Rousseff vai a Copenhague. Aonde Dilma Rousseff vai? Gostaria de saber aonde Dilma Rousseff vai. Você sabe aonde Dilma Roussef vai?

Quem se dirige se dirige a algum lugar: Rafael se dirigiu à secretaria. Aonde Rafael se dirigiu? Descubra aonde Rafael se dirigiu. Será que ele sabe aonde Rafael se dirigiu?

Olho vivo!

O aonde só tem vez se preencher as duas condições. Uma só não vale. Veja o exemplo de assistir. Quem assiste assiste a uma coisa. O trissílabo pede o a. Mas não indica movimento. Xô, aonde! Vem, onde: Onde você assistiu ao programa? Queria que me informasse onde você assistiu ao programa. Você descobriu onde ele assistiu ao programa?

Andar indica movimento. Mas não aceita a preposição a. Quem anda anda por algum lugar: Por onde você andou? Pode me dizer por onde você andou? Exijo que me diga por onde você andou. Por que você se recusa a informar por onde andou?

Vítima preferencial

Estar e morar são vítimas preferenciais dos impiedosos falantes. Eles não indicam movimento nem exigem a preposição a. Mas obrigam-nos a carregar o aonde. A torto e a direito a gente escuta "Aonde você está?" "Aonde você mora?" É a receita do cruz-credo. Para não aviá-la, seja esperto. Dê a vez ao onde: Onde você está? Onde você mora? Esteja onde estiver, lembre-se do recado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Criança

Rua, rua, rua,
pula, pula, pula,
salta o peralta
que vive em
cada criança

Joga a gude,
chuta a bola,
esconde-esconde,
dá cambalhota
ou rola no chão.

Toda hora é hora
de sorrir e brincar,
boneca ou peteca,
não importa, se é
menino ou menina.

Garota vira mãe,
garoto vira doutor,
usam a fantasia
em casa ou na rua
sim senhor.


Imagem: Dreamstime.com






sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Lágrima


Razão
determina
silêncio.
Emoção
faz barulho
e transforma
em lágrima
o que manda
o coração.
Olhos são
nascentes.
Água
inunda a face,
banha o corpo,
ganha lugar
nos rios
e mares.
O que fazer?
Agora nada
mais sou,
a não ser
pura e viva
emoção.
Pura lágrima...


(Imagem: flickr)

domingo, 15 de novembro de 2009

Meio do caminho


Tudo ou nada
nem sempre
é o "X"
da questão.
Muitas vezes
o meio
do caminho
é a melhor
solução.
Nem sol,
nem chuva,
apenas
nuvens
ocupando
o espaço
do azul.
Nem trovões
nem raios,
no instante
de luz,
mesmo
sem o brilho
do astro rei.

Imagem: Flickr




segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sonhos


A imaginação
corre solta
na avenida
dos sonhos.
Mesmo quando
perde o rumo
é difícil
acionar o freio.
Segue em curva
ou em linha reta
até invadir
o sinal fechado.
Só nesse ponto
respira e percebe
a necessidade
de calma.
Pelo menos,
enquanto não
acelera em novo
e insistente
pensamento.


Foto: Heart of Oak /Flickr


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O que fazer quando faltam ideias para o texto?

Quando não se tem ideia para o texto o que fazer? Primeiro passo: não tornar isso um problema. Seguir apenas digitando o que vem pela cabeça pode ser uma boa saída. Faço isso, algumas vezes, quando a "inspiração" custa a aparecer.

Não adianta matutar, quebrar a cabeça para escolher um tema, tentar pesquisar, elaborar. Apenas sigo a intuição. Este texto, por exemplo, começou assim. Queria atualizar o blog, mas não tinha noção do assunto a ser tratado. Passei a digitar sem ter nada elaborado, e aí o "apagão" criativo se transformou no tema da abordagem.

Apenas a vontade de preencher a tela em branco já favorece a gestação do texto. Então a falta de assunto acaba se tornando o foco da escrita. Isso demonstra, na prática, que não há necessidade de desespero quando alguém deseja escrever e não tem a mínima ideia sobre o que falar.

Não recomendável é desanimar, deixar-se vencer pelo sumiço dos temas. Basta começar e pronto. O processo da construção textual, aos poucos, se encarrega de estimular o raciocínio, de dar sequência compreensível ao que brota espontaneamente como texto.

Sem mistério, sem receio, a escrita ganha forma. Aí estão a beleza e o prazer dessa arte. A tela, ou o papel, preenchida demonstra que a aridez de assuntos ficou para trás. Aos poucos a abordagem começa a fazer sentido para o autor. Quando isso acontece é grande também a chance de fazer sentido para o leitor. (Foto: Cammeraydave - Dreamstime)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aluno relata em livro mudança que educação trouxe a sua vida

Do Portal MEC, matéria de Ana Júlia Silva de Souza:

“Hoje eu tenho um norte na vida. Ficou para trás aquele menino que foi gerado numa cela de penitenciária, que foi criado sem pai nem mãe, que parecia não ter futuro. Também ficou para trás aquele cara cheio de dúvidas, de incertezas. Elas já não existem mais. Os estudos me ajudaram muito. Percebo mudanças em mim e creio que essas mudanças são visíveis por todos que me conhecem.”

Este é um trecho do epílogo do livro Proeja – O aluno, de Sidney Dias de Oliveira, 36 anos. Na publicação, ele descreve como um curso do Programa de integração profissional técnica de nível médio na modalidade de jovens e adultos (Proeja) modificou completamente a sua vida.

Sidney faz o curso na área de eletrônica no campus Florianópolis, do Instituto Federal de Santa Catarina. Nos primeiros semestres, ele foi aluno da professora de português Esterzinha Pereira Gevaerd, que o apoiou no seu projeto de escrever o livro, lançado este ano dentro das comemorações do centenário do Instituto.

No livro, Sidney conta a sua sofrida trajetória de vida. Ele foi concebido numa cela de penitenciária, numa das visitas íntimas a que seu pai tinha direito. A mãe morreu prematuramente, quando ele tinha 2 anos de idade.

“Sinto-me como uma pedra bruta, que durante esses três semestres foi lapidada pelas mãos de mestres, doutores da arte do saber. Sinto-me como ouro bruto que, ao ser jogado ao fogo, purifica-se, queima todas as impurezas e sai jóia rara. Todos percebem a diferença antes e depois do IFSC”, conclui Sidney, que trabalha como autônomo em cinco empresas da capital catarinense.

Esterzinha vê no fato de um curso do Proeja ter transformado a vida de um aluno o reconhecimento do trabalho desenvolvido desde 2006. “São fatos como esse que nos impulsionam a continuar lutando por essa modalidade de educação: jovens e adultos afastados do processo educacional ou com escolarização incompleta, marginalizados social e economicamente”, disse Esterzinha.

“Quando transformamos a vida das pessoas pela educação ficamos cada vez mais convencidos de que estamos fazendo a coisa certa”, resumiu Maria Cláudia de Almeida Castro, coordenadora de pós-graduação do Instituto. (Foto: Regis Capibaribe)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Duas Vidas

Ele não faz miau nem provou ter sete vidas. Mas duas, sim. Disso ninguém duvida. O poodle late, salta, festeja a chegada de alguém. Um dia, numa temporada num sítio, Bob* foi encontrado sem forças para andar. Nem engatinhar como se fosse um filhotinho conseguia.

Às pressa foi removido para Salvador e internado numa clínica. Ninguém identificava qual doença tinha vitimado o cãozinho. "Bobinho", "Bobinho", ele não reagia. Meu sobrinho, que adora Bob, sofria junto, mas teve forças para ajudá-lo a fazer fisioterapia na água.

Da primeira vez, carregou Bob no colo e, com a farda do colégio, se lançou ao mar junto com o "paciente". A partir daí, todos os dias, pegava o cachorro na clínica para nova sessão de hidroterapia. Mesmo assim, o poodle não dava sinais de melhora. Passou tantos dias se arrastando que ficou com escaras na barriga.

A veterinária pensou em sacrificar o animal porque ele não tinha mais resistência. Antes, no entanto, fez a última experiência: receitou medicamentos homeopáticos, inclusive, para depressão. Pois não é que o esperado milagre aconteceu! Um dia a veterinária viu Bob se erguendo e voltando a andar.

Num domingo de tarde ele teve alta, foi recebido com festa, cercado de mimos. Depois de tanta especulação a respeito do caso, foi descoberta a razão do problema. Bob sofreu um trauma, no sítio, ao correr de uma vaca que ameaçava atacá-lo. Ficou doente após o grande susto. Com 9 anos, hoje ele desfruta de sua segunda vida no apartamento de onde tinha sido afastado por causa da mania de fazer xixi em casa.

Bob aprendeu a lição. Desce três vezes ao dia para satisfazer suas necessidades longe. Agora o problema é outro: engordou, virou uma bolinha e come somente ração light. Ele não tira o olho de quem esteja saboreando algo por perto. De vez em quando dá uma de vira-lata e na surdina pega uma banana, tira a casca e se delicia...

Publicada em Sintonia - Caderno
de Poesias e Crônicas de minha autoria.

*Bob morreu em fevereiro de 2003 de outra
enfermidade. (A crônica foi escrita em 2002)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dupla do barulho na sala de aula

Passou muito tempo, mas as recordações da traquinagem da dupla estão vivas na memória. A estagiária do Magistério penou nas mãos dos alunos mais danados na sala de aula. Talvez, por isso mesmo, não consegue esquecer de Pedro, então com 11 anos, e Antonia, 10. Ele, negro, esquelético. Ela, gordinha, morena clara.

Os dois não davam sossego à estudante que cursava o último ano do 2º grau e não tinha segurança do futuro profissional. A única certeza era a necessidade de cumprir todo o estágio para ter boa nota e, finalmente, receber o diploma. Sua grande dificuldade foi encarar a indisciplina da turma da 4ª série.

Os alunos, praticamente todos, faziam muito barulho e arruaça. Nada igual ao comportamento de Pedro e Antonia. A dupla não dava descanso. Corria pela pequena sala, gritava e desafiava a futura professora. Numa dessas peraltices acabou passando uma rasteira. Sabe o que houve? A normalista foi ao chão. Raivosa, decepcionada, repreendeu como pode, fez sermão e ficou de cara feia.

No final do mês uma grande surpresa. Imagine quem tirou as melhores notas em todas as disciplinas? Se pensou em Pedro e Antonia, acertou. A estagiária custou a entender como meninos tão inquietos nas aulas tiveram desempenho escolar tão bom. Tudo acima de 9 em Matemática, Português, Geografia, História, Ciências...

Passadas algumas décadas, ela percebe melhor esse processo. Talvez os assuntos não fossem do interesse da dupla, que possivelmente gostaria de temas novos nas aulas. A normalista de antes ainda hoje se recorda da experiência. E preserva o nome dos estudantes que mais trabalho deram na fase do estágio. Não se lembra de nenhum outro nome. Lembra de Pedro e Antonia. Os outros se perderam na história.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sou versos


Andei,
nem
pensei
onde
chegar.
Fui sem
amarras
ao passado
ou laços
que me
prendam
ao futuro.
Estou no
presente
sem
desviar
o olhar
do aqui.
Sem tirar
o pé
do agora.
Sou este
momento
de criação.
Sou
o poema
que nasceu
agora,
teclado.
Sou letras,
palavras,
pontos,
vírgulas.
Sou versos
neste
instante
eterno.

Foto: Regis Capibaribe




quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pegadinhas exigem atenção na hora da escrita

A internet, a febre dos blogs, as redes sociais, o Twitter, o Meme e tantas outras possibilidades virtuais favorecem uma prática muito positiva: a escrita. Mesmo pessoas resistentes em registrar no papel ou na tela suas ideias acabam aderindo à mania nacional, mundial.

Escreve-se de tudo. E é super-legal que isto aconteça. Agora, não custa lembrar a necessidade de um pouco de atenção na hora de construir o texto. A Língua Portuguesa tem inúmeras pegadinhas. Por isso são frequentes os equívocos.

Um exemplo: expressões com a mesma sonoridade e grafia diferente (concerto - relacionado à apresentação de orquestra; conserto - o ato de fazer reparos, consertar alguma coisa). Percebe a confusão? Que a troca de uma letra altera o significado?

O problema é que nem sempre as pessoas tem dúvida, quando a consulta ao dicionário torna-se indispensável. Então usam a forma equivocada achando que está certa e aí, na maior parte das vezes, o leitor percebe. E pega muito mal.

Gera trapalhadas também a palavra paralisação. A grafia correta é com S. Porém tem muita gente por aí escrevendo paralização. Eu mesma, no início da prática de reportagem, cheguei a redigir assim. Em certa matéria, um redator me chamou a atenção para o equívoco. Nunca mais errei.

Não sou purista em relação à gramática até porque o excesso de regras só faz dificultar a escrita, além de apresentar outro problema: o tempo longo para incorporar as mudanças decorrentes da evolução da linguística, esta sim um processo bem dinâmico. Mas creio na possibilidade da construção textual sem equívocos de grafia e/ou de corcondância. É que isso ocorre naturalmente no processo da aprendizagem.

Como o advento da internet impõe a prática da escrita, em todas as áreas, seria muito bom que as escolas de nível superior dedicassem mais tempo ao ensino do Português. Talvez assim os alunos fiquem motivados a ler mais e escrever com maior atenção. (Foto: Regis Capibaribe)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Rosa menina

Longe do vento,
do sol, do chão
e da chuva,
ela emudeceu.
Tranquei
a rosa menina
no meu peito,
e ela reagiu.
Escondeu
as flores,
mudou o humor.
Foi seu jeito
natural
de chamar
atenção
e de gritar
para viver.
Hoje a rosa menina
não é só minha.
Ganhou
outro espaço,
outra alma
e sentiu
novamente
alegria de viver.
Com a força
da terra,
vibra ao sabor
do vento, do sol
ou da chuva.
A rosa menina
canta a liberdade
numa profusão
de flores e de cores.


Fonte: Sintonia - Caderno de Poesias e Crônicas /2002 Autora: Graça Filadelfo Republicada nesta terça (22) para lembrar a chegada da Primavera

Foto: Pedro Miguel Vagos Oliveira Olhares Fotografia Online



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mágico


Queria o poder
de atrair amores,
bailar a
varinha de condão,
abolir a solidão
que nasce em
cada coração.
Queria ser
a fada madrinha,
e impedir cada ser
de sofrer ou sentir dor.
Eu queria ser
o mágico dos mágicos
e num piscar
de olhos levar
alegria para
quem vislumbra
novo amanhecer,
flores e prazer.


Imagem: Regis Capibaribe

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Canto e encanto

Falo, canto,
de todo jeito
encanto.
Aqui, ali, acolá...
Com sotaque,
ou sem sotaque.
Nordestina sim,
baiana sim,
rodo aqui,
ali e acolá...
Falo, canto,
de todo jeito
encanto
no meu canto.
Nordestina sim,
baiana assim,
rodo aqui,
rodo acolá...
Com sotaque,
ou sem sotaque,
solto o verbo
além daqui
e ninguém
ouve meu canto.
Sem encanto,
resta o pranto
de quem perdeu o ninho
e procura um canto,
onde possa cantar,
de todo jeito,
e encantar,
seja aqui ou acolá...


16 de maio de 2003 (semana em que perdi um irmão).
A poesia foi feita durante o módulo
sobre diversidade linguística,

da Especialização em Gramática e Texto,
na Universidade Salvador-Unifacs

Imagem : Regis Capibaribe

sábado, 12 de setembro de 2009

Bienal do livro organiza encontro com jornalistas

A XVI Bienal do Livro Rio, que acontece até o dia 20 próximo no Rio Centro, organiza mais de 15 encontros com jornalistas brasileiros e estrangeiros. Entre as atrações nacionais estão debates com Daniel Piza, Maurício Stycer, Caio Túlio Costa, André Trigueiro, Humberto Werneck, Zuenir Ventura, Laurentino Gomes, Carlos Heitor Cony, Arnaldo Bloch, Ruy Castro, Ciro Marcondes Filho, Danuza Leão, Fernando Morais, Guilherme Fiuza, Ancelmo Gois, entre outros. Jornalistas internacionais também participam dos encontros.

Confira lista dos encontros:

12/09 – 17h - Mulher e Ponto- Polêmica e atualidade no discurso feminino - As questões da mulher deixam o livro e ganham visibilidade na mídia Patrycia Travassos e Márcia Tiburi - Mediadora: Isabella Saes

13/09 – 15h30 - Café Literário - Ética e responsabilidade no mundo contemporâneo Leonardo Boff e André Trigueiro - Mediador: Ivo Barbieri

13/09 – 19h30 - Mulher e Ponto - Blog é Livro? - O crescimento do livro virtual atrai escritoras e leitoras Clara Averbuck e Fal Azevedo - Mediadora: Cora Rónai

13/09 – 20h - Café Literário - Bastidores da ficção: a pesquisa do escritor Chris Bohjalian e Jair Ferreira dos Santos - Mediador: João Paulo Cuenca

17/09 – 17h30 - Mulher e Ponto - A Mulher Repórter da Vida - Em crônicas, memórias e reflexões, os melhores momentos da alma feminina Martha Medeiros e Rosiska Darcy de Oliveira - Mediadora: Sonia Biondo

17/09 – 18h - Café Literário - Escrevendo sobre Escritores Paula Dip, Humberto Werneck , Uelinton Farias Alves - Mediadora: Clarisse Fukelman

18/09 – 16h - Café Literário - Brasil ontem e hoje Laurentino Gomes e Isabel Lustosa - Mediador: Cristiane Costa

19/09 – 17h - Café Literário - Ficções e realidades nas visões de Brasil e EUA Larry Rother, Roberto DaMatta Mediadora: Regina Zappa

19/09 – 20h - Café Literário - Experiência de vida e sua recuperação pela escrita:impactos e repercussões Fernando Morais e Guilherme Fiuza - Mediador: Ancelmo Gois

20/09 – 17h - Café Literário - A política entre a ficção e a realidade Sérgio Rodrigues e Carlos Heitor Cony - Mediador: Marcelo Moutinho

20/09 – 20h - Café Literário - Biografando a canção Ruy Castro e Paulo César Araújo Mediadora: Guiomar de Grammont

Fonte: Portal Comunique-se

Foto: Regis Capibaribe

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

MEC promove Semana de Poesia e Literatura

Olha aí uma boa notícia para professores e estudantes de todo o País, que tem oportunidade de participar da programação da TV Escola, canal educativo do Ministério da Educação (MEC). Até 2 de outubro, os interessados podem enviar suas produções de vídeos para a 6ª Semana de Poesia e Literatura. Um dos objetivos é incentivar o trabalho autoral de docentes e alunos.

De acordo com informações do site do MEC, a Semana de Poesia estreia em 19 de outubro e continua até o dia 23. Durante toda o período, o canal exibe produções referentes a poesia, literatura, música e arquitetura. Os vídeos escolhidos tem espaço nos intervalos da programação. Já as melhores produções vão ser selecionadas para um especial, que deve ir ao ar nos dias 24 e 25.

As produções devem ser enviadas para a 6ª Semana de Poesia e Literatura, Rua da Relação 18, 4º andar, Centro, Rio de Janeiro (RJ), cep 20231-110. Os vídeos podem ter no máximo dois minutos de duração. Junto com o material precisam ser anexados o nome e telefone do aluno ou professor, além de dados da escola, nome do autor e título da poesia em folha à parte.

Um documentário inédito, produzido pela TV Escola, apresentará as influências francesas na cultura brasileira, em comemoração ao ano da França no Brasil. O filmereúne entrevistas com franceses e brasileiros, além de uma versão inédita da música Eu te amo, de Chico Buarque e Tom Jobim, cantada em francês por Miúcha, irmã de Chico e cantora importante da MPB.

Na última edição, em 2008, participaram 56 escolas de todo o País, com a colaboração de 544 alunos. A TV Escola pode ser sintonizada via antena parabólica (digital ou analógica) em todo o Brasil e no Portal do MEC. O sinal está disponível também nas tevês por assinatura DirecTV (canal 237), Sky (canal 27) e Telefônica (canal 694). (Foto: Regis Capibaribe)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Retrato


Viagem
ao céu, à terra,
ao mar.
Imagem
do que passou,
em busca
do que sonhou.
Ontem criança,
hoje mulher.
Lembrança
renasce.
Brincando,
cantando,
saltando.
Vozes, gestos.
Moldura de
um retrato
que a vida
suavemente
desenhou.

Foto: Regis Capibaribe

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Medo de avião

Não dava mais para recusar pauta que dependesse de voo. Até então, diante de qualquer possibilidade, a resposta era rápida: "Pode me demitir, mas não viajo". Mas quando a TV foi transmitida, pela primeira vez, num distante município baiano, mais perto de Brasília do que de Salvador, foi impossível repetir o não.

O chefe de reportagem, do alto de seus quase 1,90 m, determinou: "Tem viagem para Barreiras e você vai". Tremendo perguntei: "É de avião?" A resposta seca foi o sim. Mesmo sabendo da impossibilidade de aeronave de médio porte pousar na cidade, ainda perguntei: "O avião é grande?" Ele afirmou sim só por dizer enquanto eu, sem argumento, fui para casa arrumar a mala e seguir para o embarque.

Menos de duas horas depois estava na pista das pequenas aeronaves. Como um arco-íris, minha cor variava entre a palidez, o vermelho, o amarelo... O coração disparado só faltava sair do corpo. Mal respirava dominada pelo medo de voar.

O pavor era tão forte que, na infância, fiquei do lado de fora quando um grupo de estudantes do então primário foi conhecer um avião de perto. A gente sabia que a visita era só para ver aquela máquina metálica voadora. Mas não confiei. Temia que, por alguma razão, voaria mesmo sem comandos.

Na vida adulta o medo continuou, mas as circunstâncias levaram a enfrentá-lo. Então lentamente subi a escada, junto com outras cinco pessoas, além do piloto e o co-piloto. Em minutos, o minúsculo avião se afastava do chão, roncava e rumava em direção às nuvens.

A viagem foi tranquila até se aproximar de Barreiras. Por lá o medo quintuplicou. Não era turbulência. Era bem pior. O avião perdia altura e eu tinha a sensação de que cairia. Rezava, pedia proteção a todos os santos e achava que aqueles eram os últimos minutos da minha vida.

Nesse clima, o avião pousou em Barreiras. Fiquei aliviada, ao menos, até o retorno a Salvador. Dois dias depois chegamos novamente à pequena pista sem pavimentação. A segurança era tão precária que roubaram gasolina do avião. Foi preciso reabastecer para o novo embarque.

Na volta, a história foi só um pouco menos assustadora. Chovia muito e o aviãozinho trepidava parecendo carro numa estrada esburacada. Enfim chegamos à capital e passei a voar em outras ocasiões. Até hoje, qualquer tremorzinho que aparece, agarro as mãos de quem estiver ao lado. Seja padre, freira, homem, mulher, adulto, jovem, velho, criança... Só assim fico mais confiante. (Foto: Flickr)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Haikais

1
Plenitude do escuro
remete ao brilho
e ao mistério da luz

2
Palavras dançam
plantam os sons
desenham os tons

3
Sossego traz
inspiração para
abrir o coração

4
Ser ou ter eis
uma boa questão
para reflexão

5
Mirar o alvo
do que semeou
rende frutos

6
Andar sem rumo
não tira ninguém
do mesmo ponto

7
Dia vira noite
a noite vira o dia
sempre no vaivém


Foto: Regis Capibaribe

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Era uma vez minha máquina de escrever

A primeira vez a gente nunca esquece... Faz uns 15 anos e a experiência permanece viva na memória. O jornal onde eu trabalhava ensaiava os primeiros passos rumo à informatização. Lenta e gradualmente, as velhas máquinas de escrever iam ficando amontoadas enquanto os computadores, cada vez mais, ganhavam espaço na redação.

Eu, com a velha Remington no trabalho - e uma resistente Letera 32, do tempo de faculdade, em casa - entrei em parafuso. Questionava, reunia argumentos, não sei onde, para tentar convencer os colegas do perigo desse caminho. Acreditava que o computador iria isolar uns dos outros, impedir o bate-papo, muitas vezes agradável, entre um toque e outro nas antigas maquininhas.

Resisti o quanto pude, mas fui vencida. Sempre arrumava uma desculpa para não deixar tirar a Remington de perto de mim. Reação parecida só a de um colega da editoria de Esporte, último a aceitar teclar ao invés de datilografar. Eu fui a penúltima, e o momento foi tenso. A ansiedade dominava corpo e alma. Estava nesse clima quando levaram minha máquina. E passei a digitar (catando aqui e acolá) algumas soltas palavras. Produzi pouco e fui para casa.

Aí o drama triplicou. Nunca vivi uma noite tão terrível. Nada ficava no estômago nem no intestino. Expelia a nova situação. Água, chá, nada ajudava a melhorar a agonia. Passei mal, muito mal quase toda a madrugada, até que deitei e me entreguei. Não tinha forças para levantar de novo e, assim, na exaustão, adormeci.

No outro dia, bem no outro dia, amanheci melhor. Inundei o corpo de água, por dentro e por fora. Fiz a limpeza necessária, renovei as energias para aceitar a despedida da máquina de escrever. E rumei para a redação.

No começo nada de internet. Era só digitar, imprimir e encaminhar ao diagramador para dar forma à página. Depois avançou um pouco, e as matérias já seguiam para a outra etapa por meio digital. E assim foi, cada dia uma novidade, até o boom da Internet no Brasil.

Hoje é impossível ficar sem o computador. Só eventualmente lembro da maquininha laranja (a Letera) onde levava horas e horas para elaborar minhas primeiras reportagens. A modernidade me conveceu e venceu.

Ao invés do isolamento que temia com o advento dos computadores, percebo o contrário. É possível ficar tão perto mesmo estando longe do olhar, do tato, do olfato, do gosto, da escuta...Ainda não testei a WebCam... Será que daqui a 15 anos vou dizer: a primeira WebCam a gente nunca esquece?

sábado, 15 de agosto de 2009

Plateia

Por que cair?
Por que sorrir?
Quanta gente cai!
Quanta gente ri!
Tragédia e comédia
como se fossem
uma cena só!
Quantas vezes cai.
Quantas vezes riram de mim.
Agora posso cair
sem fazer disso tragédia
e levantar antes
que me tornem uma comédia.
Agora posso cair
e eu mesma sorrir.
Porque sou a cena,
sou o palco e também
a plateia de mim.


Publicada originalmente em Sintonia - Caderno de Poesias e Crônicas, de minha autoria, em 2002
Imagem de Sónia Cristina Carvalho, Olhares Fotografia Online




quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Banho de rio

Como era bom descer a ladeira, acompanhada da mãe, dos irmãos e das pessoas que ajudavam no batente da casa grande!

A tarde costumava ser de festa quando o programa era tomar banho de rio. Biquínis e maiôs, nem pensar. O traje das meninas era a calcinha; para os meninos, bermuda. A mocinha da família, a mãe e as outras adultas ficavam de sutiã e anágua. Isto, quando não se lançavam ao rio de vestido e tudo.

A sensação de prazer aos poucos tomava conta dela. Os pés sentiam a areia, sinal de que o rio estava cada vez mais perto. Delícia maior era a água fria ir se apoderando do corpo lenta e suavemente. Primeiro, os pés. Em seguida as mãos, que iam molhando outras partes. Depois nada melhor do que mergulhar e tentar nadar. Em lugar raso. Pois o rio grande e largo intimidava - nas épocas chuvosas, era como visse o mar que ainda não tinha conhecido.

A turma fisgava piabas improvisando armadilha com uma garrafa de vinho. Colocava um pouco de farinha e segurava a garrafa na água. Os peixinhos entravam. Era grande a alegria. Outra boa farra era saborear a fruta do ingazeiro que fazia sombra gostosa na beirinha do rio.

Publicada originalmente em Sintonia,
Caderno de Poesias e Crônicas,
de minha autoria, em 2002.
Imagem: Alfredo Almeida Coelho da Cunha / Olhares Fotografia On Line

terça-feira, 28 de julho de 2009

Releituras sensuais

De leve, meu rosto
passeia sobre o peito.
Sente o frescor e
a sensualidade dos pelos.
Roço a pele macia
e desfruto inteira
o prazer dessa fusão.
Sem pensar,
vivo a entrega.
Na pele, no ar, no olhar.


Mãos macias e quentes
tocam meu rosto
com carinho especial.
Sinto o calor que sobe
para o peito,
domina braços e mãos,
invade todo o corpo
e me torna uma
fogueira que se derrete
no jogo da sedução.


No peito aberto recebo
colo de um gesto terno.
No giro, o olhar inteiro
mergulha em mim.
No abraço,
o sabor da entrega.
Na dança,
o deleite da fusão.
E no beijo de despedida
o desejo de novo encontro.

Publicado originalmente em
Sintonia, Caderno de Crônica e Poesia,
de minha autoria.

Foto: Nuno Filipe / Olhares Fotografia Online

sábado, 25 de julho de 2009

Estrela-guia

Minha mãe,
do lugar mais
nobre do meu
coração, ofereço
a você esta prece.
Em homenagem
à mulher corajosa
e generosa.
Boa esposa,
boa mãe.
Para os filhos
do ventre
e dos que recebeu
de presente.
Avó, bisavó, cheia
de netos e bisnetos.
Filha guerreira,
irmã sempre
companheira.
Amiga de sorriso
aberto para toda
e qualquer hora.
Esta data é eterna
na memória.
Faz um ano,
mas parece que
foi ontem.
Você se despediu
e para outro
mundo partiu.
E nunca ficou
ausente mesmo
sem a presença.
Porque você foi,
é e será sempre
minha grande
estrela-guia.


Poesia em memória da minha mãe,
que
partiu em 25 de julho de 2008.
Foto: Regis Capibaribe


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Na janela

Passarinho
na janela
convida para
o novo dia.
Assovia, assovia
cheio de alegria.
Canta de lá,
canto de cá.
E nasce
outra canção
embalada
na emoção.
Bate as asas
leve e solto
em simples
despedida.
Vive plena
liberdade.
Voa baixo,
voa alto.
E sempre
está de volta
em outro
amanhecer.
Pousa na
janela só
pra cantar,
cantar e cantar
porque tem
o prazer de
me acordar.

Imagem: Olhares Fotografia On line



domingo, 19 de julho de 2009

Silêncio

Silêncio,
não absoluto,
mas intenso.
De novo
o aconchego
do ventre.
Só o vaivém
da respiração.
E o tic-tac
do coração.
Reencontro
interno
devolve paz.
Necessária,
oportuna
e bem-vinda.
Recolhimento,
e a lágrima seca.
Devolve a vida,
nasce este poema.
Que emerge
pronto.
Da escuta
atenta
do silêncio.
Da viagem,
sem roteiro,
ao útero.


(Ilustração: Stock photo: Blue Space Wave)




sábado, 18 de julho de 2009

Site tira dúvidas sobre mudança ortográfica

Acabei de saber agora vendo o programa Link Brasil, transmitido pela TV Record News, de uma dica super-legal para quem escreve no dia a dia e, de repente, se depara com uma dúvida em relação à mudança ortográfica: é o Ortografa! (http://www.ortografa.com.br/). O gestor do site explica que o Ortografa! nasceu de uma "súbita ideia" quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa começou a ser adotado no início deste ano.

O processo de consulta é bem simples: basta digitar uma palavra, frase ou período de até 500 dígitos, no campo de texto e clicar em "Ortografa!". Aí o sistema entra em ação e troca as expressões para a grafia correta destacando em amarelo o equívoco. E, se você clicar no que aparece assinalado, surge uma janelinha verde com a explicação. Fiz o teste e gostei. É muito útil principalmente quando surgem incertezas quanto à acentuação e ao hífem. (Foto: Regis Capibaribe)

Giros no baile

Giros, giros, giros. Saltos e saltos. Ela, 70 anos e mais. Ele, 35 e pouco. Mulher e marido fascinam quem está na festa. Outros casais na pista dividem o mesmo espaço, mas observam. Quem está sentado não tira o olho. Todos contemplam a dupla de professores, a entrega plena na dança de salão.

Bolero, valsa, samba, forró, salsa, lambada, axé... Qualquer música convida o casal. Melhor se o ritmo induz movimento rápido. O gestual, a sincronia, tudo na hora e no lugar certo. Mãos entrelaçam, soltam e se reencontram. Sem desviar o olhar, sem perder a intimidade, a celebração na dança.

Entre um passo e outro, esbanja criatividade para fascínio de quem está ao redor. Rápido ela dá outro e impressionante giro, dessa vez, bem acima do solo. Ele a envolve num abraço, a dança continua e a diferença de idade desaparece.

Os dois têm igual disposição quando chegam ao bar com música ao vivo sem a luz negra das boates. São frequentadores, e não atrações contratadas pela casa. Esses professores de dança de salão se divertem na noite fazendo o que mais gostam. Bailando, se reinventando em cada passo, na troca de olhares, sedução, prazer, fusão.

Da platéia, foco minha atenção nos bailarinos. Vivo o êxtase. Meu olhar segue todo cantinho do salão por onde eles rodopiam. E me vejo adolescente. Contemplo casais dançando no principal clube da cidade. Bolero, valsa, tango. Também forró, baião.

A banda acelera o ritmo, internalizo a música, sinto cada nota invadindo a respiração, os poros, face, braços, pernas, pés, o corpo, a mente, a alma. A timidez vai embora. Deixo a mesa vazia e rodopio no salão. (Foto: allfreephoto.com)

domingo, 12 de julho de 2009

Presença


-->
Não sei
por onde anda,
mas sinto
que escuta.
Mesmo longe
está perto.
Distância não
separa almas
nem impede
voos de ternura.
Coração bate
em sintonia.
Longe ou perto,
constante
presença na
minha sinfonia.
(Foto Regis Capibaribe)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Texto criativo nasce do desejo

O texto nasce espontâneo. Não é e nem pode ser imposto. De repente, a ideia abandona esse ambiente individual do pensamento e alcança espaços infinitos. Ganha formas variadas. Manuscrito, digitado, pintura, desenho, música, sinal, código, ícone ou o que mais a imaginação sugerir. Toda essa gama de expressões configura textos, que podem ser lidos, contemplados, escutados, elogiados, criticados pelo receptor da mensagem.

Se o texto germina a partir da criatividade não tem como ser feito por obrigação. Mas há meios de estimular o potencial - muitas vezes adormecido em decorrência do medo da receptividade do leitor. Às vezes, a insegurança surge em sala de aula, onde alunos temem fazer um texto, e recebê-lo do professor marcado de vermelho acompanhado de uma nota baixa. Outras tantas vezes decorre do receio de se revelar, de se mostrar ao mundo.

Recordo-me de uma experiência cheia de traumas quando estudava o antigo Ginásio. A professora de Português encarregou os alunos de escrever um romance em pleno período de férias. Para isso, dividiu a classe em equipes. E as colegas do meu grupo logo começaram a engrenar uma ficção "água com açúcar" em capítulos.

Vivi maus momentos. Tímida, não dava asas à imaginação. Nada expressava no caderno porque nenhuma ideia aparecia. Uma colega, Glória, se ofereceu para escrever a parte que me competia no "castigo" das férias. Isso não representou a solução do problema, pois a segunda etapa era a apresentação, em sala de aula, do que foi escrito por cada integrante da equipe.

Nunca sofri tanto. Era uma segunda-feira, de manhã nublada, quando nossa equipe foi chamada à frente da sala. Na minha vez, silêncio absoluto. Eu tremia com o caderno na mão. E o silêncio foi a única forma de expressão. A voz não saia, mas o corpo falava. Externava a frustração, a vergonha. Não conseguia mentir. Não conseguia ler algo escrito por uma colega como se fosse feito por mim. Não conseguia enganar a professora. Nem a classe.

O relato é só para ilustrar que o ato de escrever não deve nem pode ser obrigatório. Nasce do desejo interno. Ou de uma motivação externa interessante. Caso contrário, ao invés de estímulo, pode bloquear a criatividade. Levei tempo para superar o medo e permitir à minha alma viajar com as palavras. (Foto: Regis Capibaribe)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Nasce uma nova comunidade literária

Olha aí um novo espaço para divulgação de criações literárias. Recém-criado, o site Sala de Leitura é dedicado aos escritores brasileiros e aos amantes da literatura, como está descrito na home page. A comunidade literária tem o propósito de reunir escritores de diversos gêneros para publicação de textos, discutir os rumos da literatura, contribuir com a divulgação de eventos e promover a melhoria contínua da comunidade literária.

De acordo com a apresentação do site, os autores já publicados encontram no espaço oportunidade de se relacionarem diretamente com os leitores. Os autores inéditos (amadores ou profissionais) tem chance de mostrar o seu talento. "Sala de Leitura é o seu espaço na web - a sua comunidade literária, construída pelos próprios usuários. Portanto colabore, contribua, poste seus textos, promova debates, faça as suas críticas literárias e traga, sempre que desejar, novos amigos", convida os organizadores. O endereço é http://www.saladeleitura.com.br/ Eu já me cadastrei.

domingo, 28 de junho de 2009

Poeminhas em série



Magia
Calor
na noite
e no dia.
Magia,
alegria.
Só energia.


Canto
O canto
fascina,
ensina.
No som,
no tom.
O dom.


Lua
Lua nua

brilha
na
trilha.

Lua tua

e minha.
Na rua.

Rabisco
Arrisco
o risco.

Rabisco.
Rostos
reais ou

virtuais.

Vento
Sem vento,
invento
voar.
Ousar
e
não
pensar.

Jibóia

Jibóia
contorna
a pista.

É só uma
planta
à vista.

Norte
Aposto

na sorte
meu norte.

Avanço
e lanço
o mote.


Foto: Regis Capibaribe



sexta-feira, 26 de junho de 2009

Meu verbo

Pombo correio voa,
ressoa meu verbo,
o verso.
Semeia, em
dimensões,
emoções, sensações.
Meu universo
interno, fraterno,
eterno.
Pombo correio voa,
ressoa meu verbo.
Diverso.





domingo, 21 de junho de 2009

São João na fazenda era melhor

Como era bom o São João! Uns 15 dias antes, o clima na fazenda era dominado pelos preparativos da festa. Licores, biscoitos, bolos de variados aromas e sabores eram feitos com capricho. Religiosamente todo ano, mesmo que ninguém de fora recebesse o convite para a noite junina, completavam o cardápio pernil e frango bem assados no forno à lenha.

Os pais, os irmãos, alguns tios e os trabalhadores da roça formavam o grupo para animar o 23 para 24 de junho. No final da tarde da véspera a fogueira era acesa. E o rádio movido a pilha espalhava o som dando a senha para o forró começar. Enquanto tinha um traque, uma chuvinha, uma cobrinha ou pequenas bombas, a garotada não saía do quintal embevecida com as brincadeiras. Só depois, alguns superavam a timidez e também arrastavam o pé.

Festa típica e espontânea, sem o barulho ensurdecedor no salão nem o tempero artificial nos pratos de hoje. Nas fazendas vizinhas, as chamas das fogueiras apareciam como pontos luminosos aqui e acolá. O clima festivo, às vezes, convidava para a esticada até uma casa no outro lado do rio. Aí era um sobe e desce ladeira, ouvindo o canto das cigarras, para pegar a canoa. Tudo em busca de forró até o dia amanhecer.

Como era bom o São João! Ao som da sanfona e do pandeiro, todo mundo levantava poeira na sala de chão batido. Adultos, jovens, crianças. Idade não era problema na hora de dançar. Bastava perder a timidez, sentir a música invadindo os poros e balançar o corpo ao pé da fogueira. De vez em quando um licor. De vez em quando um quentão ou um café quentinho. Um biscoito, um pedaço de bolo...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Água viva


Sou assim.
Lenta,
calma,
intensa.
Onda vai,
onda vem.
Sou assim.
Onda viva.
Nasce,
morre,
revolve
e renasce.
Sou assim.
Mansa,
brava,
densa.
Sou assim.
maré calma,
maré brava.
Agua viva.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

MEC distribui R$ 90 mil em prêmios para escritores

Olha aí uma boa iniciativa para o mundo literário divulgada hoje (3 de junho) pela Agência Brasil: um concurso vai distribuir R$ 90 mil, em prêmios, para oito escritores brasileiros e um autor de país africano de língua portuguesa que desenvolverem livros voltados para alunos da educação de jovens e adultos (EJA). O Literatura para Todos é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e objetiva incentivar a produção de obras para o público adulto recém-alfabetizado.

Os interessados em participar têm até 20 de julho para fazer a inscrição. Mas devem prestar atenção para a exigência de que a obra deve ser inédita e ter de 30 a 40 páginas. São aceitos textos nas modalidades conto, novela, crônica, poesia, perfil biográfico, dramaturgia e textos da tradição oral. Além da publicação da obra, cada autor vencedor do concurso tem direito ao prêmio de R$ 10 mil. O MEC adverte que obras com temática religiosa, que tratem de conduta moral ou com abordagem preconceituosa, não são aceitas. Leia mais informações aqui.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sem rima e sem nexo


Sem verso,
sem rima,
libero meu pranto.
Sem verso,
sem rima,
expresso alegria.
Sem verso,
sem rima,
solto o verbo.
Sem rimar
paixão e coração,
amor e dor,
norte e morte,
reluzir ou seduzir...
Sem verso, sem rima
ou nexo,
expresso meu canto
em forma de poesia.



Publicada originalmente em Sintonia, Caderno de Poesia e Crônicas, de minha autoria.


terça-feira, 26 de maio de 2009

Ensaios poéticos


Arrisquei
Arrisquei
falar,
plantar,
colher.
Arrisquei
saltar,
cantar,
voar.
Arrisquei
abrir,
seguir,
sorrir.
Arrisquei
ouvir,
sentir,
nutrir.

Agora
O poeta
não escolhe hora.
É agora.
Explodem
emoções,
pulsam sensações.
Palavras
ressoam
espontâneas,
sempre.
Aqui,
agora.

Mel
Adoça
a vida
minha,
tua.
Enche de paz
o céu,
a terra.
Recolha
o fel,
deixa o mel.

Broto
No mergulho,
a sede.
Viagem,
silêncio,
limite.
Longe,
suspiro,
alívio,
sopro,
broto.
O novo.

Selva de pedra
O concreto
domina
a paisagem.
Esconde
almas,
oprime
movimentos.
Selva de pedra,
sem estrelas
nem vida.