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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Que sufoco na véspera do São João!

Há uns bons aninhos não me arriscava viajar de ônibus na véspera de um feriadão. Desta vez, para de novo não amargar os festehos juninos em Salvador, arrisquei enfrentar a estrada num buzão até Vitória da Conquista. Era noite da quarta-feira (22), quando cheguei na Rodoviária e me deparei com gente por todo canto se misturando às bagagens espalhadas pelo chão.

Que sufoco? Logo ao descer do carro rumo à plataforma de emabarque, jurei em silenciosas palavras. "Nunca mais viajo num dia como esse..." Era véspera de um feriado que emendava a quinta, de Corpus Christi, e a sexta, de São João, com o sábado e o domingo, dias para o descanso do final de semana. Como faltavam poucas horas para o início da viagem, não dava para desistir e vender a passagem. O jeito foi prosseguir.

Circulando entre malas, sacolas, mochilas, sacos, trouxas, caixotes e outras tralhas em forma de bagagem, respirei fundo e me dirigi à Sala VIP de uma empresa, com a esperança de encontrar um pouco de conforto enquanto aguardasse o ônibus. Novo engano! Na sala, não havia mais espaço. As cadeiras estavam ocupadas e o espaço de circulação também. O desânimo tomou conta de mim até que alguém levantou de uma cadeira para tomar água, e sem pensar, me ajustei na cadeira deixando parte da bagagem no colo.

Foram suadas duas horas de espera, que pareceram uma eternidade. Os ponteiros do relógio parece que não saíam do lugar. Cada vez entrava mais gente na suposta Sala VIP. Pessoas de todas as idades e cores se acotovelavam para circular no movimento de entrada ou saída para acesso aos ônibus. Às 22h, finalmente, foram chamados os passageiros que embarcariam 20 minutos depois. 

Foi difícil deixar a Sala VIP. Mas o pior estava por vir. Do lado de fora não dava para puxar a mala de rodinhas. Nesse sufoco, um funcionário da empresa pegou minha bagagem, colocou sobre a cabeça e abriu passagem no meio da multidão. No vácuo, segui movida pelo impulso até entrar no ônibus. Ufa! No interior do veículo, o problema foi tolerar o ronco barulhento de um jovem que ocupava a cadeira na minha frente. (Foto)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

São João da minha infância


Meio nostálgica rumo em direção ao São João da minha infância. Bastava junho chegar que os preparativos começavam. O rádio de pilha espalhava a voz de Gonzagão pelos quatro cantos da casa. Às vezes, o segundo irmão pegava a sanfona, e ajudava a esquentar o clima festivo, na fazenda contornada pelo Rio Pardo.

Bem antes da adolescência, aos 8 anos, a música junina me convidava a dançar, mesmo no chão sem revestimento, e levantar a poeira. Quando não tinha um parceiro ou parceira (pai, irmão, irmã...), era só pegar uma vassoura de palha e fingir que estava acompanhada: haja arrasta-pé, xote, baião...

Melhor ainda era o 23 do mês, véspera do Dia de São João. Mal o sol se despedia, tinha início a farra. Na nossa casa, ou nas redondezas, ninguém da família ficava sem participar dos festejos. Às vezes era preciso atravessar de canoa o largo rio em busca do forró mais animado.

Licor ou quentão nem pensar para a garotada. Bom mesmo eram os fartos petiscos. Bolos de variados tipos, biscoitos caseiros salgados e doces, pamonha e canjica de milho verde, pernil e franco assados no forno a lenha, laranja... De madrugada a grande sensação era lançar a batata doce na fogueira. Aos poucos a cor da casca mudava, tornando mais escura, sinal de que a raiz estava quase pronta para ser saboreada.

A noite ia embora, o Sol raiava, mas a oito baixos cotinuava atraindo gente para embalar o corpo no salão (ou salinha ou cozinha ou quintal). No São João a vida pulsava no ritmo da sanfona envolvendo, no mesmo clima, crianças, jovens, adultos, pais, filhos, avós, netos. (Foto: Flickr)

domingo, 21 de junho de 2009

São João na fazenda era melhor

Como era bom o São João! Uns 15 dias antes, o clima na fazenda era dominado pelos preparativos da festa. Licores, biscoitos, bolos de variados aromas e sabores eram feitos com capricho. Religiosamente todo ano, mesmo que ninguém de fora recebesse o convite para a noite junina, completavam o cardápio pernil e frango bem assados no forno à lenha.

Os pais, os irmãos, alguns tios e os trabalhadores da roça formavam o grupo para animar o 23 para 24 de junho. No final da tarde da véspera a fogueira era acesa. E o rádio movido a pilha espalhava o som dando a senha para o forró começar. Enquanto tinha um traque, uma chuvinha, uma cobrinha ou pequenas bombas, a garotada não saía do quintal embevecida com as brincadeiras. Só depois, alguns superavam a timidez e também arrastavam o pé.

Festa típica e espontânea, sem o barulho ensurdecedor no salão nem o tempero artificial nos pratos de hoje. Nas fazendas vizinhas, as chamas das fogueiras apareciam como pontos luminosos aqui e acolá. O clima festivo, às vezes, convidava para a esticada até uma casa no outro lado do rio. Aí era um sobe e desce ladeira, ouvindo o canto das cigarras, para pegar a canoa. Tudo em busca de forró até o dia amanhecer.

Como era bom o São João! Ao som da sanfona e do pandeiro, todo mundo levantava poeira na sala de chão batido. Adultos, jovens, crianças. Idade não era problema na hora de dançar. Bastava perder a timidez, sentir a música invadindo os poros e balançar o corpo ao pé da fogueira. De vez em quando um licor. De vez em quando um quentão ou um café quentinho. Um biscoito, um pedaço de bolo...