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segunda-feira, 27 de março de 2017

Às vezes fera




 
Às vezes vazio
Às vezes plena
Às vezes sonho
Às vezes folha
Às vezes pássaro
Às vezes choro
Às vezes prana
Às vezes ira
Às vezes vento
Às vezes sol
Às vezes lua
Às vezes água
Às vezes onda
Às vezes som
Às vezes ego
Às vezes voz
Às vezes fera
Às vezes mansa
Às vezes nada
Às vezes tudo
Às vezes poema
Às vezes eu


Poema e foto de Graça Filadelfo
Editora do Blog Boa escrita




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Boas festas

Passa o Natal,
vem o Ano Novo, 
e não percorri lojas
em busca de presente.
Preferi viajar, 
mergulho interno
até descobrir
o que posso ofertar.
Um cheiro, um beijo,
abraço intenso.
Meu cartão 
de boas festas,
entrego a vocês,
com palavras
  reunidas, trançadas,
na forma 
deste poema.

Imagem: Paulo Salles






domingo, 9 de outubro de 2011

Desejo um poema




 Não dá, não, não dá...
desejo um poema,
mas não, não dá.
Cadê as palavras
que preciso?
Esconderam não sei
em que espaço
da alma (ou da mente?).
Releio outros ditos,
outros escritos ...
Tentar elaborar?
Pra que se esforçar?
A dança de letras 
não ganha forma
poética por desejo
ou decreto.
Nasce na tensão,
sem obrigação.
Não dá, não dá ...
O vento levou
minhas palavras e
me deixou
sem expressão.







 




 



sábado, 30 de outubro de 2010

Espelho

 
  O poema não quer
escutar o coração
nem sentir os voos,
os sopros do
útero, da alma.
Luta entre o real e 
o mundo pensante.
Palavras, frases, 
resistência, dribles...
Desejo apenas
de mirar o espelho,
se revelar ao mundo,
 simples, como é,
sem disfarces.
Essência,
mesmo quando 
se protege na máscara.
Mergulho...
brota o embrião
deste poema.









segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher

Em homenagem ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher, nada melhor do que o poema Mulher, do grande poeta Carlos Drumond de Andrade:

Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão…

Para possuir uma mulher
é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase
numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade… Há de se conseguir
fazê-la sorrir antes do próximo encontro

Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que
amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair, e
fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso…

- O potente, o amante, o homem viril, são homens bons… bons homens de
abraços e passos firmes…
bons homens pra se contar histórias… Há, porém, o homem certo, de todo
instante: O de depois!

Para conquistar uma mulher,
mais que ser este amante, há de se querer o amanhã,
e depois do amor um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder.

É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café… Há que ser mulher,
por um triz e, então, ser feliz!

Para amar uma mulher, mais que entendê-la,
mais que conhecê-la, mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido, e também
ser possuído e, ainda assim, também ser viril…

Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la,
há de ser conquistado… todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser
amado!”

Foto: Flickr

domingo, 19 de julho de 2009

Silêncio

Silêncio,
não absoluto,
mas intenso.
De novo
o aconchego
do ventre.
Só o vaivém
da respiração.
E o tic-tac
do coração.
Reencontro
interno
devolve paz.
Necessária,
oportuna
e bem-vinda.
Recolhimento,
e a lágrima seca.
Devolve a vida,
nasce este poema.
Que emerge
pronto.
Da escuta
atenta
do silêncio.
Da viagem,
sem roteiro,
ao útero.


(Ilustração: Stock photo: Blue Space Wave)