terça-feira, 21 de novembro de 2017

Festa no Céu recebe Cau!



Cláudia, Cau, Cauzinha... Hoje tem festa no Céu!!! Essa mulher linda, esposa do meu sobrinho Xandre, que adotei como sobrinha do coração, seguiu nesta quinta-feira, 16 de novembro, para Nova dimensão! Me aproximei mais de Cau no processo do tratamento do câncer, que ela encarou com força e ao mesmo tempo com suavidade.

Cau, aprendi a valorizar mais a vida nessa convivência com você. Quando fui demitida inesperadamente, no final de agosto de 2016, e achava que o meu mundo tinha acabado, você me encorajou a dar a volta por cima. Recordo que você falava: "Esqueça esse pessoal e escreva um livro". Ainda não fiz o livro Cau. Quem sabe um dia!

Ah, querida sobrinha, agora sinto-me uma pintora amadora iniciante. Sonho fazer uma exposição com Zete, sua tia-sogra-mãe, em Vitória da Conquista. Siga em paz. Nós vamos ajudar a cuidar de Xandre, Zete e sua linda filha Ana Paula.

Vou recordar sempre dos seus lindos olhos que falavam mais do que milhões de palavras. Cau, vou recordar sempre do seu prazer de viver. 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Por aí...


Vou,
vou por aí...
Andando, cantando,
saltando,
vou por aí.
Seguindo, sorrindo,
sentindo, 
vou por aí.
Brincando, correndo,
achando,
vou por aí...

Foto da autora: Graça Filadelfo


quarta-feira, 29 de março de 2017

Professora da Ufba toma posse na Academia de Letras da Bahia


A escritora e professora Edilene Dias Matos (foto), do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos (Ihac) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), toma posse na cadeira de número 13 da Academia de Letras da Bahia (ALB). A solenidade acontece nesta quinta-feira (30), às 20h, no palacete Góes Calmon, sede da ALB, localizado no bairro de Nazaré, em Salvador. A cadeira 13 foi ocupada anteriormente pela acadêmica Myriam Fraga, que morreu em fevereiro de 2016. A saudação à nova titular vai ser feita pelo confrade Fernando da Rocha Peres. 

Escolhida no dia 25 de julho de 2016, Edilene tem uma trajetória como profissional ligada às letras e, de modo geral, à cultura, incluindo um olhar especial para a temática das poéticas da voz e das culturas populares. “Insisto que os escritores, poetas, ensaístas, vocês todos, fazem parte daquele grupo de artistas cujo trabalho é incansável com as palavras, gestos, imagens. Esta casa é o abrigo certo para estes artistas”, disse a nova acadêmica após a sessão de eleição, conforme matéria com foto publicada no site da Ufba.

Edilene Dias Matos é doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Fez Pós-Doutorado em Literatura e Cultura Brasileiras na Universidade de São Paulo (USP) e em Poéticas da Voz pela Université Paris-Ouest Nanterre La Défense. Foi professora da PUC de São Paulo e diretora do Departamento de Literatura da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Na Universidade Federal da Bahia, atuou como coordenadora do Pós-Cultura. Foi também uma das fundadoras e primeira presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores da Voz (Abravoz).


segunda-feira, 27 de março de 2017

Às vezes fera




 
Às vezes vazio
Às vezes plena
Às vezes sonho
Às vezes folha
Às vezes pássaro
Às vezes choro
Às vezes prana
Às vezes ira
Às vezes vento
Às vezes sol
Às vezes lua
Às vezes água
Às vezes onda
Às vezes som
Às vezes ego
Às vezes voz
Às vezes fera
Às vezes mansa
Às vezes nada
Às vezes tudo
Às vezes poema
Às vezes eu


Poema e foto de Graça Filadelfo
Editora do Blog Boa escrita




quarta-feira, 8 de março de 2017

STF isenta livros eletrônicos do pagamento de impostos


Uma boa notícia para o mundo literário. Em matéria assinada por André Richter (repórter) e Amanda Cieglinski (edição), a Agência Brasil informa que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (8) isentar livros eletrônicos, os 'e-books', do pagamento de impostos. Por unanimidade, os ministros decidiram estender o benefício já concedido a livros e jornais impressos. A deliberação da Corte também abrange os leitores de livros eletrônicos, os 'e-readers'. 

O Supremo  julgou um recurso do governo do Rio de Janeiro contra decisão da Justiça do estado, que estabeleceu a imunidade a uma enciclopédia jurídica armazenada em um CD digital. A decisão do STF põe fim a inúmeras medidas judiciais divergentes sobre a validade da imunidade a livros eletrônicos. O entendimento dos ministros deverá ser aplicada a mais de 50 ações que aguardavam o posicionamento da Corte sobre o assunto. Conforme  Agência Brasil, tendo por base a Constituição Federal, é vedado aos estados e à União instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel de impressão. (Crédito da foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF).

sexta-feira, 3 de março de 2017

Dança o tempo

Bem o ano chega,
lá vão semanas,
meses.
Dança o tempo,
nessa engrenagem
sem contagem
regressiva.
Voam a Terra,
o Sol, a Lua.





quinta-feira, 2 de março de 2017

Livro 'Crave a Marca' inspira debate na Livraria Cultura do Salvador Shopping

 
'Crave a Marca', da jovem escritora estadunidense Veronica Roth, vai ser lançado no dia 11 de março, às 15h, no Teatro Eva Herz - Salvador, da Livraria Cultura, localizado no Salvador Shopping. Conforme a sinopse divulgada, a publicação é a primeira de uma série da mesma autora da trilogia 'Divergente', 'Insurgente' e 'Convergente'. 
 
O lançamento faz parte de 'Um novo universo o espera', evento do Clube do Livro/Outro Garoto Lendo, com debate sobre ficção científica. Publicado pela Rocco Jovens Leitores, o livro narra a relação de dois jovens de origens e dons distintos - Cyra Noavek e Akos Kereseth - em que os destinos se cruzam num planeta em guerra. Ainda conforme a sinopse, política, democracia, tolerância, amizade e redenção estão entre os temas abordados.
 

 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Na face uma lágrima...




Bem cedo ela já está no ponto. Todo dia é assim na vida de Cremilda. Salta da cama antes do galo cantar, lá pelas bandas do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Precisa pegar o ônibus logo para não chegar atrasada ao trabalho, às sete.

O ritual é rápido. Água no rosto, poucos goles de café, roupa surrada. Sem um beijo no filho de nove meses, sai quase voando para não perder o ônibus que deixa o bairro antes das seis. Acha um lugar e senta.

Cinco minutos após, o velho coletivo dá a partida. Sacoleja pra lá, sacoleja prá cá. No embalo, Cremilda cochila. Compensa a noite mal dormida, cheia de preocupações com o marido desempregado e o futuro do bebê. Até o bairro da Graça, onde trabalha, normalmente a viagem dura mais de uma hora.



Nunca a doméstica chega depois do horário combinado. Naquela última quinta-feira de agosto não dá para marcar o ponto. Ainda na Suburbana, o pneu traseiro direito do ônibus fura. E o motorista põe o pé no freio. A jovem, que sonhava amamentando o filho, acorda assustada e percebe a situação.

O socorro mecânico demora e Cremilda se desespera. "Vou levar bronca. Dona Emília não vai acreditar que o pneu do ônibus furou", pensa alto a jovem, 29 anos, que mora de aluguel numa casa de três cômodos. Tenta usar o celular. O aparelho descarregou. Pede emprestado o da vizinha de cadeira. Não tem crédito.

Só às sete e cinquenta o pneu é trocado e a viagem recomeça. Às oito e meia buzina no apartamento do 15º andar. Não tem ninguém na casa da patroa. No dia seguinte, ao chegar pontualmente às sete, conta a história. É demitida. Na face uma lágrima...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Estou grávido, e agora?

Gostei tanto do texto 'Estou grávido, e agora?', assinado por Alberto Souza, que resolvi transcrever para o blog 'Boa Escrita'. Desenvolvedor e instrutor pela empresa Caelum, ele e Larissa são pais de Betinho, uma criança linda, alegre, curiosa e muito esperta. 

Beto (o pai) narra de forma leve, concisa e com palavras simples sua vivência desde quando soube que o casal estava grávido, em setembro de 2015. Betinho, meu sobrinho-neto, nasceu no dia 9 de maio de 2016. Ele completa nove meses na quinta-feira (9) e já tem muita história para ser contada. O texto está publicado no blog Contos de um pai - Experiências do pai de Betinho.

'Estou grávido, e agora?'

Finalmente você e sua parceira(o) engravidaram, então o que era um sonho distante continua um pouco distante, mas só nove meses agora :). Esse é o último período que você tem para refletir sobre sua vida sem ter alguém que necessita de você 24 horas por dia durante um tempo indeterminado.

Quando Larissa (esposa) engravidou, para mim foi como um sonho que começou a virar realidade. Eu sempre quis ter um filho, na verdade queria ter alguns, mas ela barrou meu sonho em no máximo dois. Não posso reclamar, ela sempre foi a ponta madura do relacionamento. Agora que a primeira fase do sonho tinha virado realidade, eu tinha nove meses para me preparar profissionalmente para ser pai.

Quando falo que precisei me preparar profissionalmente, quero dizer ler livros, assistir documentários, procurar por estudos sobre bebês e tudo mais. Essa sempre foi uma característica minha, nunca quis fazer nada na base do “bumba meu boi”. Apesar que boa parte do mundo sempre me falava que na hora que Betinho chegasse, tudo ia se resolver. “Ser pai ou mãe é uma coisa que flui normalmente, não precisa de estudo…”

Posso dizer que para mim, tentar ficar preparado funcionou muito bem. Acho que li uns seis livros sobre o assunto e, entre as várias dicas, as que funcionaram muito bem para mim foram: seja empático, paciente e honesto. Não vai ter jeito, seu filho(a) vai chorar, e vai chorar pelos mais diversos motivos. Ele(a) também vai ficar algumas vezes sem querer comer direito, sem querer dormir e tudo mais. Tudo isso, em escalas diferentes para cada família, é verdade.

Para mim ajudou muito ficar pensando sobre isso durante os nove meses :). Pensei que quando ele chegasse eu precisaria abdicar de parte do meu tempo livre, mudar minha rotina de trabalho, sair menos com os amigos, gostar de outras atividades e tudo mais. Também teve a parte de entender que muita gente ia querer ajudar, os avós principalmente. Imagina você deixar para pensar nisso só quando a criança nascer? Não ia funcionar para mim não.

Meu resumo da ópera é: se está esperando um filho, tente se preparar profissional e mentalmente. Na hora que ele(a) chegar, vai ser tanta emoção que não vai sobrar tanto tempo para essa adaptação. Nasceu, você já precisa estar pelo menos um pouco adaptado. E só lembrando, essa foi a minha experiência :). Caso você tenha chegado aqui no final, deixa seu comentário. Para fechar, meu objetivo é escrever com frequência, Betinho já tem nove meses e muita coisa foi aprendida".

domingo, 20 de outubro de 2013

Festa literária internacional movimenta Cachoeira


A terceira edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) movimenta esta cidade histórica baiana entre os próximos dias 23 e 27 (quarta-feira a domingo). O evento aberto ao público terá atrações musicais, praça de alimentação e, pela primeira vez, programação especial dedicada às crianças, a Fliquinha.

Autores internacionais  - Kiera Cass, Sylvia Day e Jean-ClaudeKaufmann, entre outros - e do Brasil, como Laurentino Gomes, Fabrício Carpinejar e Leticia Wierchowski, participam do evento que tem patrocínio da Oi e Coelba, por meio do programa Fazcultura, desenvolvido pelas secretarias estaduais da Fazenda (Sefaz) e de Cultura (Secult).
 
A Fliquinha vai reunir nomes como Antonio Cedraz, Ciça Fittipaldi, Cristina D’Ávila, Enéas Guerra, Gilberto Pinto, Mabel Velloso e Nairzinha. Contação de histórias e oficinas são algumas das atividades voltadas para o público infantil. Mais informações sobre a Flica estão disponíveis aqui. (Foto de João Ramos)

terça-feira, 2 de abril de 2013

Livro 'Um ônibus pra lua' incentiva leitura


Pensando na importância da leitura na infância como formação de hábito e abertura para a criatividade, a Sá Editora coloca no mercado o livro infantil 'Um ônibus pra lua', de Eliana Sá, com ilustrações de Nireuda Longobardi.

'Um ônibus pra lua', como diz o título, é um convite para soltar a imaginação da criança numa viagem ao espaço das brincadeiras com as palavras – reforçadas pela rima, pelo som e pelo ritmo – e pelas belas ilustrações coloridas que atraem o jovem leitor.

O livro é indicado para a faixa de 6 a 10 anos, pois trata de temas relacionados a essa época da vida, como a troca de dentição, em 'A fada do dente', o medo de escuro, em 'Fantasma’ e a ansiedade pelo aniversário, em 'No país do meu aniversário'.

“A leitura, feita pelos pais, à noite, no aconchego do quarto, traz um universo de magia para a criança, que a faz inesquecível”, lembra Eliana Sá, que iniciou a carreira jornalística trabalhando como editora da revista 'Recreio', quando Ruth Rocha era a diretora de redação.

 “Quando os pais leem em casa, reforçando a leitura feita na escola, a criança se torna um ser-leitor e esse é um dos nossos objetivos". Leia mais aqui.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Quando devo escrever 'agente' ou 'a gente'?


Eta idioma que nos faz cair em 'pegadinhas' quando a gente decide produzir um texto! Na fala, muitas vezes, a escorregadela é imperceptível, porém a escrita requer alguns cuidados. Daí a importância de revisar direitinho antes de tornar público o que se escreveu. 

Exemplo: 'agente' e 'a gente'. Na forma oral, tudo parece  igual porque a sonoridade é a mesma . Basta fazer sentido o que foi dito para que o recpetor da mensagem compreenda a intenção do emissor. Já, na escrita, não é tão simples assim.

'Agente', com o 'A' juntinho da expressão 'gente', é um substantivo que leva à ideia de ação. E os exemplos são muitos: agente de saúde, agente de limpeza, agente jurídico, agente sanitarista. Quando o 'A' aparece separado do termo 'gente', o significado é outro. Passa a ter função do pronome da primeira pessoa do plural 'nós'.

Quando é utlizada a expressão 'a gente', toda atenção é pouca em relação à concordância na hora de formular uma frase. Dizemos 'a gente vai para a escola', 'a gente gosta de esporte'. Portanto, nada de 'a gente vamos...' ou 'a gente gostamos...'

Nesta era das redes sociais em que se escreve às pressas, nem sempre os internautas ficam atentos à grafia das palavras e caem em pegadinhas como essa.  Porém é muito importante a leitura atenta antes da publicação das postagens. (Imagem - Escrevemos.com)


domingo, 10 de junho de 2012

Toda atenção é pouca na hora de se fazer um título

Desatenção ou desconhecimento? Não tenho ideia precisa da causa, mas ultimamente observo que autores de muitos textos jornalisticos estão chamando a atenção, no título, de informação que não consta no corpo da matéria. Se isso for uma tendência, lamento muito porque percebo aí equívoco do ponto de vista da produção textual. 

A importância de um bom título reside no fato de despertar o interesse pela leitura do texto, seja notícia jornalística ou qualquer outro gênero. Precisa ser elaborado com muita atenção e ter sintonia em relação aos demais elementos textuais - introdução (no caso, em especial, pode ser compreendida como o lead), desenvolvimento e conclusão. Caso contrário, gera dúvida e incompreensão ao leitor, além de diminuir a credibilidade da informação.

Há várias formas de se fazer um título. Uma possibilidade é enfatizar o contexto, como se fosse um 'guarda-chuva' que expressa o ambiente e sintetiza o conjunto das informações. Essa opção cabe muito bem numa reportagem. Nesta época de festejos juninos, na Bahia, uma matéria especial sobre a programação sobre o assunto, por exemplo, pode receber um título sem se prender a uma informação específica. 'Forró para todos os gostos em Salvador e no interior' - perceba que não foi destacado número de atrações ou investimento nos festejos.

O título também pode ser livre, leve e solto, desde que tenha sintonia com o texto e o veículo onde a informação é publicada. O Dia dos Namorados, 12 de junho, vem aí. Se, ao invés de matéria sobre vendas de presentes nos shopping centers - o que predomina nos noticiários dessa época -, pensássemos numa pauta sobre acasalamento no mundo animal? Se destacássemos o Parque Zoobotânico de Salvador, poderíamos dar asas à imaginação e colocar o título 'Namoro no Zoo' sem risco de errar.

Se o desejo é destacar uma informação, a mesma obrigatoriamente precisa estar inserida no texto. Para melhor entendimento, observe os exemplos hipotéticos a seguir. Não posso citar que o 'Governo federal destina R$ 110 milhões para educação na Bahia', se isto não está escrito na matéria.

É também inadequado dizer que 'Chuva causa alagamentos em dez bairros de Salvador' ou que 'Mau tempo gera cancelamento de 30 voos em Gurarulhos" se a informação não está registrada no corpo da matéria. Mesmo colocando o nome de cada uma das avenidas atingidas pelo temporal na capital baiana ou o destino dos voos cancelados no aeroporto paulista, os números precisam ser citados. Sem esse cuidado, o leitor vai precisar contar se tiver o desejo de conferir a notícia, o que se torna muito desagradável. (Imagem: coimbra-braga.olx.pt)








domingo, 29 de janeiro de 2012

Foi cordeiro em 2008 para virar antropólogo no ano seguinte

Foto: Haroldo Abrantes
A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos da Bahia (Arfoc-BA) promovem nesta terça-feira (31), às 10h, a palestra do antropólogo e repórter-fotográfico Haroldo Abrantes sobre os cordeiros da Bahia. Será no Auditório Samuel Celestino, no oitavo andar do Edifício Ranulpho Oliveira, localizado numa esquina da Praça da Sé. O evento é aberto ao público e oferece, de modo especial aos jornalistas, oportunidade de debater, às vésperas do grande evento, o que será o Carnaval 2012 de Salvador.

Haroldo Abrantes apresentou em 2009 a dissertação 'Cordeiros da Bahia: festa e trabalho nas cordas do Carnaval de Salvador. Ensaio de Antropologia visual e urbana'' e foi aprovado pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Para decifrar o tema que escolhera para sua pesquisa acadêmica, Abrantes, com a aquiescência de seu orientador, professor doutor Edwin Reesink, atuou como cordeiro do bloco “Nu Outro” no Carnaval de 2008.

TEXTO BEM ESCRITO

A dissertação de Haroldo Abrantes tem o mérito adicional de ser bem escrita. Assim o leitor percorre suas páginas sem dificuldades e conhece a saga dos homens e mulheres que, por força das dificuldades de obter emprego, viabilizaram uma atividade novíssima no mercado de trabalho que é a de cordeiro de bloco de Carnaval. O antropólogo Haroldo Abrantes define que “o trabalho do cordeiro é construir uma fronteira arbitrária que se movimenta, deslocando todo o território do bloco com tudo que estiver dentro dele. O cordeiro aluga seu corpo para proteger o corpo dos outros”.

Abrantes, no seu trabalho, contrapõe duas situações do Carnaval dos últimos anos quando informa que “os camarotes fixos são construídos com materiais convencionais, madeira, ferro, tijolo, prego e cimento, por operários da construção civil, e os camarotes andantes, os blocos do moderno Carnaval de Salvador, são construídos pelos cordeiros com corda e seu próprio corpo”. 
A situação dos cordeiros, conforme a dissertação de Abrantes, já foi pior. A categoria foi à luta e criou, em 2003, a Associação dos Trabalhadores Cordeiros e Similares das Entidades Carnavalescas e Culturais do Estado da Bahia (Assindcorda). A associação foi transformada em sindicato em 2006. Apesar do avanço e por causa do exército de desempregados, no período que antecede o Carnaval “os cordeiros estão prontos para o abate, gordos de fome”.

O autor de 'Cordeiros da Bahia' ensina que “há toda uma pirâmide hierárquica na corda, como se os cordeiros formassem um pelotão militar que precisa de patentes superiores para comandar”. Segundo Haroldo Abrantes, “nesse exército os cordeiros são os recrutas, imediatamente acima vêm os cabos de corda, depois os coordenadores ou líderes, os diretores de corda e por fim os diretores do bloco”. Explica, ademais, que “paralelamente existem as patrulhas de seguranças, que ficam circulando pelo meio do bloco”.

O AUTOR E A FOTOGRAFIA

O antropólogo e repórter-fotográfico Haroldo Abrantes da Silva nasceu em Manaus (AM)e vive na Bahia há muitos anos. Filho de servidor público federal, morou também no Rio Grande do Sul. Na Bahia, Haroldo estudou no Colégio Antônio Vieira. Mais adiante ingressou na imprensa como repórter-fotográfico e nos dias de hoje atua na equipe de fotógrafos do núcleo central da Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado da Bahia.

O trabalho acadêmico de Haroldo Abrantes, além do texto, contém cerca de duas centenas de fotografias que respaldam as informações escritas. Por isso o subtítulo 'Ensaio de Antropologia visual e urbano'. Acrescente-se que a bibliografia utilizada e listada pelo autor agrega valor ao trabalho e, de modo correto, informa a existência de trabalhos anteriores sobre o cordeiro de Carnaval, a exemplo de  'O Carnaval dos Cordeiros. Trabalho e violência entre auxiliares de segurança de Salvador', dissertação de mestrado que Juliana Maia defendeu em 2008 no Instituto de Saúde Coletiva da Ufba.

Haroldo Abrantes, ao final do trabalho, informa que “depois dessa experiência, concluí que a mercadoria que os cordeiros vendem é o seu próprio corpo, usado para proteger o corpo de foliões do bloco, utilizado na construção de um muro [...], que segrega duplamente os cordeiros. Os cordeiros são conquistadores de territórios, construtores de camarotes andantes para aqueles que compram a senha de acesso, o abadá do bloco”. Antes do ponto final, o autor esclarece: “Esse foi o relato de um cordeiro, trabalhador do Carnaval, sujeito e objeto, finalizado em 12 de outubro de 2009, às 23 horas e 14 minutos”.
Autor do release: Luis Guilherme Pontes Tavares
MTBA-660

sábado, 21 de janeiro de 2012

Sob o Sol de Olivença

Adolescência em flor, crescia o desejo de tomar banho de mar, que tinha visto só uma vez ainda criança. Naquela época, a imensidão da água azul não deu coragem nem de molhar os pés, quanto mais atravessar de barco o trecho entre Ilhéus e Pontal, no sul baiano, como fez a família - ficou no carro com a irmã mais velha até que todos retornassem à terra firme.

Da infância ao despontar da juventude, o receio ficou para trás e o sonho de usar maiô de duas peças (nada parecido com os biquínis de hoje) e se estirar na praia foi crescendo. Um dia o que era vontade se tornou realidade. Meu e de outras garotas...

Ainda nem tinha começado o Verão, quando o grupo chegou a Olivença, distrito de Ilhéus de admirável mar azul. Eu e amigas, o que mais queríamos, era o bronzeado e retornar a Itapetinga, onde vivíamos, mostrando a pele morena, passando por cima de qualquer cuidado para proteger o corpo juvenil.

Sem bronzeador, valia tudo para pegar a cor. Beterraba com dendê, óleo de urucum. Lambuzadas da face aos pés, passamos a sexta-feira sob o Sol, de quase 40 graus. No final do dia, garotas de pela clara igual a leite ficaram da cor de pimentão vermelho. As morenas também sentiram o efeito da imprudência.

Tudo ardia e ninguém tinha hidratante. Dormir em colchonete só piorava a situação, ainda mais porque as muriçocas não davam sossego. Nesse sufoco, os olhos nem precisavam fechar para vir o pesadelo. A noite insone não ia embora.

Para aliviar um pouco, o jeito era passar amido de milho no rosto e em cada pedacinho do corpo. No sábado de manhã, mesmo com a pele clamando distância da praia, lá estava o grupo de novo descendo a ladeira rumo à areia. O ritual se repetia e, besuntadas novamente, insistiam em buscar mais cor.

No retorno a Itapetinga, ao invés do bronzeado, bolhas apareciam por todo o corpo. E logo começaram a estourar. Veio a coceira persistente, a pele soltava. Só restaram manchas que demoraram para desaparecer.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Boas festas

Passa o Natal,
vem o Ano Novo, 
e não percorri lojas
em busca de presente.
Preferi viajar, 
mergulho interno
até descobrir
o que posso ofertar.
Um cheiro, um beijo,
abraço intenso.
Meu cartão 
de boas festas,
entrego a vocês,
com palavras
  reunidas, trançadas,
na forma 
deste poema.

Imagem: Paulo Salles






domingo, 9 de outubro de 2011

Desejo um poema




 Não dá, não, não dá...
desejo um poema,
mas não, não dá.
Cadê as palavras
que preciso?
Esconderam não sei
em que espaço
da alma (ou da mente?).
Releio outros ditos,
outros escritos ...
Tentar elaborar?
Pra que se esforçar?
A dança de letras 
não ganha forma
poética por desejo
ou decreto.
Nasce na tensão,
sem obrigação.
Não dá, não dá ...
O vento levou
minhas palavras e
me deixou
sem expressão.







 




 



terça-feira, 13 de setembro de 2011

Segunda-feira, dia de canseira

 

Segunda-feira,
dia de canseira,
da folga, nem
sempre festeira,
desde a sexta-feira.
Sábado logo vai,
domingo aparece,
e, sem se dar conta,
olha a nova
segunda-feira.
Dia amanhece,
olhos fechados,
corpo cansado,
mente reclama...
De  novo chega
a síndrome da
segunda-feira.



sábado, 3 de setembro de 2011

Alma viva, corpo vivo

 Alma viva,
 corpo vivo...
Miragens,
ensaio de
fantasias
e desejos.
Corpo vivo,
alma viva...
Saltam
emoções,
ressoam
vibrações,
sensações
em profusão.
Coração
dispara,
alta tensão,
corpo
estremece,
alma
agradece
o calor 
da fusão.

Imagem: Flickr