
nem sempre
é o "X"
da questão.
Muitas vezes
o meio
do caminho
é a melhor
solução.
Nem sol,
nem chuva,
apenas
nuvens
ocupando
o espaço
do azul.
Nem trovões
nem raios,
no instante
de luz,
mesmo
sem o brilho
do astro rei.
Imagem: Flickr


Quando não se tem ideia para o texto o que fazer? Primeiro passo: não tornar isso um problema. Seguir apenas digitando o que vem pela cabeça pode ser uma boa saída. Faço isso, algumas vezes, quando a "inspiração" custa a aparecer.“Hoje eu tenho um norte na vida. Ficou para trás aquele menino que foi gerado numa cela de penitenciária, que foi criado sem pai nem mãe, que parecia não ter futuro. Também ficou para trás aquele cara cheio de dúvidas, de incertezas. Elas já não existem mais. Os estudos me ajudaram muito. Percebo mudanças em mim e creio que essas mudanças são visíveis por todos que me conhecem.”
Este é um trecho do epílogo do livro Proeja – O aluno, de Sidney Dias de Oliveira, 36 anos. Na publicação, ele descreve como um curso do Programa de integração profissional técnica de nível médio na modalidade de jovens e adultos (Proeja) modificou completamente a sua vida.
Sidney faz o curso na área de eletrônica no campus Florianópolis, do Instituto Federal de Santa Catarina. Nos primeiros semestres, ele foi aluno da professora de português Esterzinha Pereira Gevaerd, que o apoiou no seu projeto de escrever o livro, lançado este ano dentro das comemorações do centenário do Instituto.
No livro, Sidney conta a sua sofrida trajetória de vida. Ele foi concebido numa cela de penitenciária, numa das visitas íntimas a que seu pai tinha direito. A mãe morreu prematuramente, quando ele tinha 2 anos de idade.
“Sinto-me como uma pedra bruta, que durante esses três semestres foi lapidada pelas mãos de mestres, doutores da arte do saber. Sinto-me como ouro bruto que, ao ser jogado ao fogo, purifica-se, queima todas as impurezas e sai jóia rara. Todos percebem a diferença antes e depois do IFSC”, conclui Sidney, que trabalha como autônomo em cinco empresas da capital catarinense.
Esterzinha vê no fato de um curso do Proeja ter transformado a vida de um aluno o reconhecimento do trabalho desenvolvido desde 2006. “São fatos como esse que nos impulsionam a continuar lutando por essa modalidade de educação: jovens e adultos afastados do processo educacional ou com escolarização incompleta, marginalizados social e economicamente”, disse Esterzinha.
Ele não faz miau nem provou ter sete vidas. Mas duas, sim. Disso ninguém duvida. O poodle late, salta, festeja a chegada de alguém. Um dia, numa temporada num sítio, Bob* foi encontrado sem forças para andar. Nem engatinhar como se fosse um filhotinho conseguia.
Passou muito tempo, mas as recordações da traquinagem da dupla estão vivas na memória. A estagiária do Magistério penou nas mãos dos alunos mais danados na sala de aula. Talvez, por isso mesmo, não consegue esquecer de Pedro, então com 11 anos, e Antonia, 10. Ele, negro, esquelético. Ela, gordinha, morena clara.