domingo, 15 de novembro de 2009

Meio do caminho


Tudo ou nada
nem sempre
é o "X"
da questão.
Muitas vezes
o meio
do caminho
é a melhor
solução.
Nem sol,
nem chuva,
apenas
nuvens
ocupando
o espaço
do azul.
Nem trovões
nem raios,
no instante
de luz,
mesmo
sem o brilho
do astro rei.

Imagem: Flickr




segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sonhos


A imaginação
corre solta
na avenida
dos sonhos.
Mesmo quando
perde o rumo
é difícil
acionar o freio.
Segue em curva
ou em linha reta
até invadir
o sinal fechado.
Só nesse ponto
respira e percebe
a necessidade
de calma.
Pelo menos,
enquanto não
acelera em novo
e insistente
pensamento.


Foto: Heart of Oak /Flickr


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O que fazer quando faltam ideias para o texto?

Quando não se tem ideia para o texto o que fazer? Primeiro passo: não tornar isso um problema. Seguir apenas digitando o que vem pela cabeça pode ser uma boa saída. Faço isso, algumas vezes, quando a "inspiração" custa a aparecer.

Não adianta matutar, quebrar a cabeça para escolher um tema, tentar pesquisar, elaborar. Apenas sigo a intuição. Este texto, por exemplo, começou assim. Queria atualizar o blog, mas não tinha noção do assunto a ser tratado. Passei a digitar sem ter nada elaborado, e aí o "apagão" criativo se transformou no tema da abordagem.

Apenas a vontade de preencher a tela em branco já favorece a gestação do texto. Então a falta de assunto acaba se tornando o foco da escrita. Isso demonstra, na prática, que não há necessidade de desespero quando alguém deseja escrever e não tem a mínima ideia sobre o que falar.

Não recomendável é desanimar, deixar-se vencer pelo sumiço dos temas. Basta começar e pronto. O processo da construção textual, aos poucos, se encarrega de estimular o raciocínio, de dar sequência compreensível ao que brota espontaneamente como texto.

Sem mistério, sem receio, a escrita ganha forma. Aí estão a beleza e o prazer dessa arte. A tela, ou o papel, preenchida demonstra que a aridez de assuntos ficou para trás. os poucos a abordagem começa a fazer sentido para o autor. Quando isso acontece é grande também a chance de fazer sentido para o leitor. (Foto: Cammeraydave - Dreamstime)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aluno relata em livro mudança que educação trouxe a sua vida

Do Portal MEC, matéria de Ana Júlia Silva de Souza:

“Hoje eu tenho um norte na vida. Ficou para trás aquele menino que foi gerado numa cela de penitenciária, que foi criado sem pai nem mãe, que parecia não ter futuro. Também ficou para trás aquele cara cheio de dúvidas, de incertezas. Elas já não existem mais. Os estudos me ajudaram muito. Percebo mudanças em mim e creio que essas mudanças são visíveis por todos que me conhecem.”

Este é um trecho do epílogo do livro Proeja – O aluno, de Sidney Dias de Oliveira, 36 anos. Na publicação, ele descreve como um curso do Programa de integração profissional técnica de nível médio na modalidade de jovens e adultos (Proeja) modificou completamente a sua vida.

Sidney faz o curso na área de eletrônica no campus Florianópolis, do Instituto Federal de Santa Catarina. Nos primeiros semestres, ele foi aluno da professora de português Esterzinha Pereira Gevaerd, que o apoiou no seu projeto de escrever o livro, lançado este ano dentro das comemorações do centenário do Instituto.

No livro, Sidney conta a sua sofrida trajetória de vida. Ele foi concebido numa cela de penitenciária, numa das visitas íntimas a que seu pai tinha direito. A mãe morreu prematuramente, quando ele tinha 2 anos de idade.

“Sinto-me como uma pedra bruta, que durante esses três semestres foi lapidada pelas mãos de mestres, doutores da arte do saber. Sinto-me como ouro bruto que, ao ser jogado ao fogo, purifica-se, queima todas as impurezas e sai jóia rara. Todos percebem a diferença antes e depois do IFSC”, conclui Sidney, que trabalha como autônomo em cinco empresas da capital catarinense.

Esterzinha vê no fato de um curso do Proeja ter transformado a vida de um aluno o reconhecimento do trabalho desenvolvido desde 2006. “São fatos como esse que nos impulsionam a continuar lutando por essa modalidade de educação: jovens e adultos afastados do processo educacional ou com escolarização incompleta, marginalizados social e economicamente”, disse Esterzinha.

“Quando transformamos a vida das pessoas pela educação ficamos cada vez mais convencidos de que estamos fazendo a coisa certa”, resumiu Maria Cláudia de Almeida Castro, coordenadora de pós-graduação do Instituto. (Foto: Regis Capibaribe)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Duas Vidas

Ele não faz miau nem provou ter sete vidas. Mas duas, sim. Disso ninguém duvida. O poodle late, salta, festeja a chegada de alguém. Um dia, numa temporada num sítio, Bob* foi encontrado sem forças para andar. Nem engatinhar como se fosse um filhotinho conseguia.

Às pressa foi removido para Salvador e internado numa clínica. Ninguém identificava qual doença tinha vitimado o cãozinho. "Bobinho", "Bobinho", ele não reagia. Meu sobrinho, que adora Bob, sofria junto, mas teve forças para ajudá-lo a fazer fisioterapia na água.

Da primeira vez, carregou Bob no colo e, com a farda do colégio, se lançou ao mar junto com o "paciente". A partir daí, todos os dias, pegava o cachorro na clínica para nova sessão de hidroterapia. Mesmo assim, o poodle não dava sinais de melhora. Passou tantos dias se arrastando que ficou com escaras na barriga.

A veterinária pensou em sacrificar o animal porque ele não tinha mais resistência. Antes, no entanto, fez a última experiência: receitou medicamentos homeopáticos, inclusive, para depressão. Pois não é que o esperado milagre aconteceu! Um dia a veterinária viu Bob se erguendo e voltando a andar.

Num domingo de tarde ele teve alta, foi recebido com festa, cercado de mimos. Depois de tanta especulação a respeito do caso, foi descoberta a razão do problema. Bob sofreu um trauma, no sítio, ao correr de uma vaca que ameaçava atacá-lo. Ficou doente após o grande susto. Com 9 anos, hoje ele desfruta de sua segunda vida no apartamento de onde tinha sido afastado por causa da mania de fazer xixi em casa.

Bob aprendeu a lição. Desce três vezes ao dia para satisfazer suas necessidades longe. Agora o problema é outro: engordou, virou uma bolinha e come somente ração light. Ele não tira o olho de quem esteja saboreando algo por perto. De vez em quando dá uma de vira-lata e na surdina pega uma banana, tira a casca e se delicia...

Publicada em Sintonia - Caderno
de Poesias e Crônicas de minha autoria.

*Bob morreu em fevereiro de 2003 de outra
enfermidade. (A crônica foi escrita em 2002)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dupla do barulho na sala de aula

Passou muito tempo, mas as recordações da traquinagem da dupla estão vivas na memória. A estagiária do Magistério penou nas mãos dos alunos mais danados na sala de aula. Talvez, por isso mesmo, não consegue esquecer de Pedro, então com 11 anos, e Antonia, 10. Ele, negro, esquelético. Ela, gordinha, morena clara.

Os dois não davam sossego à estudante que cursava o último ano do 2º grau e não tinha segurança do futuro profissional. A única certeza era a necessidade de cumprir todo o estágio para ter boa nota e, finalmente, receber o diploma. Sua grande dificuldade foi encarar a indisciplina da turma da 4ª série.

Os alunos, praticamente todos, faziam muito barulho e arruaça. Nada igual ao comportamento de Pedro e Antonia. A dupla não dava descanso. Corria pela pequena sala, gritava e desafiava a futura professora. Numa dessas peraltices acabou passando uma rasteira. Sabe o que houve? A normalista foi ao chão. Raivosa, decepcionada, repreendeu como pode, fez sermão e ficou de cara feia.

No final do mês uma grande surpresa. Imagine quem tirou as melhores notas em todas as disciplinas? Se pensou em Pedro e Antonia, acertou. A estagiária custou a entender como meninos tão inquietos nas aulas tiveram desempenho escolar tão bom. Tudo acima de 9 em Matemática, Português, Geografia, História, Ciências...

Passadas algumas décadas, ela percebe melhor esse processo. Talvez os assuntos não fossem do interesse da dupla, que possivelmente gostaria de temas novos nas aulas. A normalista de antes ainda hoje se recorda da experiência. E preserva o nome dos estudantes que mais trabalho deram na fase do estágio. Não se lembra de nenhum outro nome. Lembra de Pedro e Antonia. Os outros se perderam na história.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sou versos


Andei,
nem
pensei
onde
chegar.
Fui sem
amarras
ao passado
ou laços
que me
prendam
ao futuro.
Estou no
presente
sem
desviar
o olhar
do aqui.
Sem tirar
o pé
do agora.
Sou este
momento
de criação.
Sou
o poema
que nasceu
agora,
teclado.
Sou letras,
palavras,
pontos,
vírgulas.
Sou versos
neste
instante
eterno.

Foto: Regis Capibaribe




BlogBlogs.Com.Br